O número de denúncias de trabalho análogo à escravidão atingiu um patamar histórico no Brasil em 2025. De acordo com dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, foram registradas 4.515 denúncias ao longo do ano, um aumento de 14% em relação a 2024. Esse é o maior volume desde 2011, quando foi criado o Disque 100, canal oficial para o recebimento de denúncias de violações de Direitos Humanos no país.
A legislação brasileira considera trabalho análogo à escravidão situações em que o trabalhador é impedido de deixar o local de trabalho, é submetido a condições degradantes ou a jornadas exaustivas. Também se enquadram nessa definição os casos em que há vigilância constante por parte do empregador, restringindo a liberdade do funcionário.
Outra prática reconhecida como forma de escravidão no Brasil é a chamada servidão por dívida. Nesses casos, o trabalhador permanece preso ao emprego por dever valores ao patrão, muitas vezes relacionados a alimentação, moradia ou transporte, o que o impede de sair da atividade.
Dados do Ministério do Trabalho e Emprego mostram que, desde 1995, cerca de 65,6 mil pessoas já foram resgatadas de condições análogas à escravidão em todo o país. Apenas em 2024, segundo a Secretaria de Inspeção do Trabalho, 2.186 trabalhadores foram libertados dessas situações, o que reforça a gravidade e a persistência do problema.
As autoridades reforçam a importância da denúncia para o combate ao trabalho escravo contemporâneo. Casos suspeitos podem ser comunicados pelo Disque 100, de forma gratuita e sigilosa, contribuindo para a atuação dos órgãos de fiscalização e para a proteção dos direitos fundamentais dos trabalhadores.
