15/01/2026

São Luís ocupa o 3º lugar em índice nacional de HIV/Aids, com taxa de casos acima da média do Brasil

 



São Luís é a terceira capital brasileira com o pior índice composto de HIV/Aids, conforme dados do Ministério da Saúde que analisam o período de 2020 a 2024. O indicador, que considera taxas de detecção, mortalidade, transmissão vertical e diagnóstico tardio, revela um cenário de alerta na saúde pública da cidade. A capital maranhense fica atrás apenas de Porto Alegre e Belém no ranking, que considera taxas de detecção, mortalidade e diagnóstico tardio.

Em 2024, a capital maranhense registrou uma média de 42 casos de HIV por 100 mil habitantes, valor que é mais que o dobro da média nacional (18,4 casos). Além disso, São Luís aparece como a quinta capital em detecção de aids no país.

Especialistas apontam que a posição elevada no ranking pode ser um reflexo direto do diagnóstico tardio em muitos pacientes. Quando a contaminação pelo vírus HIV não é identificada precocemente, há maior probabilidade de evolução para a aids. A falta de acesso à informação adequada sobre prevenção, testagem e tratamento é apontada como uma das causas fundamentais para esse cenário, destacando a necessidade de reforçar políticas públicas e campanhas educativas na região.

O Maranhão registra uma das maiores taxas de diagnóstico tardio da região Nordeste, com 7,5% das pessoas em acompanhamento apresentando imunidade gravemente comprometida em 2024.

No estado, 21% das pessoas em tratamento contra o HIV o abandonaram, totalizando mais de cinco mil indivíduos. Além disso, 43% das pessoas em acompanhamento no estado não tinham registro de exame de carga viral no último ano, impossibilitando a avaliação da eficácia do tratamento.

O estado tem 27.218 pessoas vivendo com HIV ou Aids, segundo a Secretaria de Estado da Saúde. A taxa de supressão viral, principal indicador de sucesso do tratamento, caiu de 89,2% em 2020 para 82,2% em 2024.

PERFIL EPIDEMIOLÓGICO ESTADUAL

Um estudo publicado em 2025 analisou mais de 12 mil casos no Maranhão entre 2014 e 2023. A transmissão heterossexual responde por 33% dos casos com categoria informada, enquanto a transmissão entre homens que fazem sexo com homens representa 9,7%.

No recorte racial, os dados nacionais de 2024 mostram que 59,7% dos novos casos de HIV ocorreram entre pessoas negras, percentual que sobe para 62,5% entre as mulheres.

São Luís também ocupa a quinta posição entre as capitais em taxa de Aids em crianças menores de cinco anos, com 4,9 casos por 100 mil habitantes em 2024.

Este dado sinaliza falhas na prevenção da transmissão vertical durante a gestação. Por outro lado, a taxa de mortalidade por Aids na capital é de 7,3 por 100 mil, a 13ª entre as capitais, abaixo de líderes como Porto Alegre (22,7) e Belém (16,4).

A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) são ofertadas pelo SUS em serviços especializados de São Luís, como o CTA Lira e o Centro de Saúde de Fátima. A PEP deve ser iniciada preferencialmente nas primeiras horas e até 72 horas após uma situação de risco.

Testes rápidos de HIV estão disponíveis em diversas unidades de saúde da capital, com resultado em minutos. Veja abaixo:

Centros especializados:
CTA Lira
CTA Anil
Centro de Saúde de Fátima
AE Hospital Presidente Vargas

Unidades básicas de saúde:

Centro de Saúde Salomão Fiquene
Centro de Saúde Janaína
Centro de Saúde Olímpica I
Centro de Saúde São Francisco
Centro de Saúde Carlos Macieira
Centro de Saúde Amar
Centro de Saúde São Cristóvão
Clínica da Família Morada do Sol